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Opinião

GUATEMALA - O respeito: essa rara qualidade

Carolina Vásquez Araya

quinta-feira 21 de abril de 2016, por Carolina Vásquez Araya

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12 de abril de 2016 - Todos nascemos em circunstâncias diferentes, com um código genético único, um ambiente determinado pelo momento específico quando começa nossa percepção do mundo e no modo como chegamos a ele.

Assim sendo, nossa forma de apreender o entorno é diferente para cada um de nós e isso marcará nossa perspectiva das coisas. Não obstante, por absurdo que pareça, a história nos ensinou como essas diferenças básicas são forçadas a se fundir e se perder numa organização social específica cujas normas, costumes e tradições nos são impostas de maneira categórica e definitiva.

Por essa razão, o fato aparentemente simples de abrir a mente para compreender em toda sua dimensão a complexidade do pensamento de outros, seus conflitos, suas aspirações e seus temores, se nos apresenta como uma tarefa para a qual não estamos preparados. Dessa incapacidade vital deriva série de patologias sociais capazes de marcar profundamente todas nossas relações humanas: o ódio, o ressentimento, a intolerância, o preconceito, o racismo e a discriminação.

Desejar a morte de outro ser humano –e perpetrar o ato de privá-lo de sua vida- é uma das manifestações extremas dessa forma de ver o mundo como um monólito de pedra, fincado numa verdade unidimensional e fechada, como é a nossa. É como quem só vê a árvore e ignora a existência do bosque, uma maneira bem prática mas perigosa de depositar em um só elemento toda a força da negação.

Nesta rigidez de um sistema social fundado no predomínio da força e o poder de uns poucos está conformada a plataforma sobre a que se erguem as religiões, as ideologias e a organização econômica nas sociedades, o denominador comum de todos os tempos. As diferenças de pensamentos e de objetivos –um fator capaz de gerar conflitos de grande envergadura por sua capacidade para criar novas rotas e oferecer outras opções- converte-se de imediato em um objetivo a ser eliminado por qualquer meio, com o fim de manter a estabilidade do status quo.

Dai surge inevitavelmente uma relação de violência fundada, em geral, não só numa atitude de intolerância, senão, mais grave ainda, na absoluta falta de respeito par com o outro, suas motivações, seus direitos e suas decisões. Isto dentro de uma sociedade cuja complexidade convida à polarização resulta extremamente difícil para enfrentar, porém, esse quadro se converte num barril de pólvora quando os fatores de divisionismo e discriminação partem do centro mesmo do poder político cujo missão deveria ser precisamente o de buscar e preservar a unidade e a concórdia entre os cidadãos.

O respeito pelo outro é um das atitudes pessoais das mais difíceis de ser executada. A tendência à violência racial, física, social ou psicológica nos foi incutida desde a primeira infância, através de estereótipos profundamente enraizados no discurso cotidiano. Acreditamos na nossa verdade como se efetivamente fosse a única, sem deixar espaço para o diálogo nem para um gesto um pouco mais generoso de receptividade para com a verdade alheia.

Neste cenário em que a parte superficial de uma crise –a aparente, sem cuidar de investigar as causas que a original- convertem-se em política e o remédio se aplica pela força, os objetivos primários tais como a estabilidade, a reparação do tecido social, a redução das desigualdades e o respeito pelos direitos humanos são conceitos absolutamente fora de discussão.


@carvasar

[elquintopatio chez gmail.com]

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